Notícias para o Professor ler

segunda-feira, julho 18, 2011

Hackers Anonymous


Anonymous
Hackers
Hackers
Hackers
Hackers

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

CHEGOU A HORA !

VAMOS TIRAR ESSES PUTOS DO PSTU DE LÁ E COMEÇAR A CONSTRUIR O QUE QUEREMOS !

A LIDERANÇA DO SINDREDE TEM QUE COMEÇAR COM UM RELACIONAMENTO QUE TENHA UM MÍNIMO DE INTERLOCUÇÃO COM A PREFEITURA PARA CONSEGUIRMOS O QUE PRECISAMOS !

FORA PSTU !!!

RADICAIS !!!

quarta-feira, julho 09, 2008

Piso Salarial Nacional do governo Lula na verdade é de R$ 475,00

“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”
Luís Fernando Veríssimo

.
O Senado aprovou o Projeto de Lei nº 59/04 (oriundo do PL nº 7.431/06, apenso o PL 619/07, da Câmara dos deputados), que estabelece o valor mínimo de R$ 950 para os professores habilitados com nível médio da rede pública de ensino em todo o país; em um regime de 40 horas semanais (28 horas para regência de classe e 12 horas-atividade). Está prevista no projeto, a complementação da União para os entes federados que não atingirem o valor de Piso nacional.
.
Para ter obter a redação final do Projeto de Lei do Senado nº 59, de 2004 (nº 7.431, de 2006, na Câmara dos Deputados) acesse:
.
A Globo, a CUT, a CTB, o Congresso Nacional, o Senado e o governo Lula não divulgam que para as(os) Trabalhadoras(es) em Educação receberem os R$ 950,00 terão que duplicar a jornada de trabalho, ou seja, trabalhar 40h semanais. Caso contrário, receberão R$ 475,00 por uma jornada de 20h semanais. Isto é uma forma de legitimar e autorizar a continuidade de desvalorização salarial e profissional praticada pelos Estados e Municípios.
.
Neste projeto consta a criação de uma regra de transição em que serão incorporadas gratificações e vantagens ao salário com jornada de trabalho de 40 horas de forma escalonada em 2008 e 2009. Somente em 2010 essas gratificações incorporadas serão consideradas vencimento inicial. Enquanto isto, quem for se aposentando neste período ficará prejudicado, pois, estas gratificações e vantagens não incidirão para efeitos de aposentadoria.
.

Posicionamento do Sind-Rede/BH e da Conlutas sobre o Piso Nacional

.
Reivindicamos um Piso Salarial Nacional da Educação, para uma jornada/semanal de 20h de trabalho, de acordo com o salário mínimo necessário calculado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatíticas e Estudos Socioeconômicos). O órgão divulgou recentemente que o salário mínimo nacional, em junho, deveria ter sido de R$ 2.072,70, para suprir as necessidades básicas de uma família com dois adultos e duas crianças. O valor representa 4,99 vezes o valor atual do salário mínimo (R$ 415).
.

Mais informações sobre o claculo do DIEESE acesse:
.
.

Durante o I Congresso Nacional da Conlutas, 03 a 06/07 (Betim/MG), o Grupo de Trabalho de Educação da Coordenação Nacional de Lutas – GT/Conlutas, aprovou um manifesto contra as políticas implementadas pelo governo Lula, apoiadas pelos governos estaduais e municipais. Dentre estas políticas o Piso Salarial Nacional foi rejeitado por unanimidade pelas entidades presentes em favor de um piso de acordo com o calculado pelo DIEESE por 20h semanais.
.
Como deliberação o GT organizará um seminário para o 1º semestre de 2009 para unificar as lutas das(os) Trabalhadoras(es) em Educação, bem como construir um calendário de mobilizações . O manifesto do grupo de Trabalho de Educação da Conlutas será divulgado em breve!
.
Obs.: Veja as entidades que defendem o governo Lula e iludem os Trabalhadores em Educação:
.

Wanderson Rocha

Marcadores:

segunda-feira, outubro 10, 2005

A corrupção está no PT de Lula e no PSDB de FHC!

SIVAM: Logo no início da gestão de FHC, denúncias de corrupção e tráfico de influências no contrato de US$ 1,4 bilhão para a criação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) derrubaram um ministro e dois assessores presidenciais. Mas a CPI instalada no Congresso, após intensa pressão, foi esvaziada pelos aliados do governo e resultou apenas num relatório com informações requentadas ao Ministério Público.

- PASTA ROSA: Pouco depois, em agosto de 1995, eclodiu a crise dos bancos Econômico (BA), Mercantil (PE) e Comercial (SP). Através do Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), FHC beneficiou com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico numa jogada política para favorecer o seu aliado ACM. A CPI instalada não durou cinco meses, justificou o "socorro" aos bancos quebrados e nem sequer averiguou o conteúdo de uma pasta rosa, que trazia o nome de 25 deputados subornados pelo Econômico.

- PRECATÓRIOS: Em novembro de 1996 veio à tona a falcatrua no pagamento de títulos no Departamento de Estradas de Rodagem (DNER). Os beneficiados pela fraude pagavam 25% do valor destes precatórios para a quadrilha que comandava o esquema, resultando num prejuízo à União de quase R$ 3 bilhões. A sujeira resultou na extinção do órgão, mas os aliados de FHC impediram a criação da CPI para investigar o caso.

- COMPRA DE VOTOS: Em 1997, gravações telefônicas colocaram sob forte suspeita a aprovação da emenda constitucional que permitiria a reeleição de FHC. Os deputados Ronivon Santiago e João Maia, ambos doPFL do Acre, teriam recebido R$ 200 mil para votar a favor do projeto do governo. Eles renunciaram ao mandato e foram expulsos do partido, mas o pedido de uma CPI foi bombardeado pelos governistas.

- DESVALORIZAÇÂO DO REAL: Num nítido estelionato eleitoral, o governo promoveu a desvalorização do real no início de 1999. Para piorar, socorreu com R$ 1,6 bilhão os bancos Marka e FonteCidam - ambos com vínculos com tucanos de alta plumagem. A proposta de criação de uma CPI tramitou durante dois anos na Câmara Federal e foi arquivada por pressão da bancada governista.

- PRIVATARIA: Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no BNDES flagraram conversas entre Luis Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações, e André Lara Resende, dirigente do banco. Eles articulavam o apoio a PREVI, Caixa de Previdência do Banco do Brasil, para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o tucano Pérsio Arida. A negociata teve valor estimado de R$ 24 bilhões. Apesar do escândalo, FHC conseguiu evitar a instalação da CPI.

- CPI DA CORRUPÇÃO: Em 2001, chafurdando na lama, o governo ainda bloqueou a abertura de uma CPI para apurar todas as denúncias contra a sua triste gestão. Foram arrolados 28 casos de corrupção na esfera federal, que depois se concentraram nas falcatruas da Sudam, da privatização do sistema Telebrás e no envolvimento do ex-ministro Eduardo Jorge. A imundície no ninho tucano novamente ficou impune.

- EDUARDO JORGE: Secretário-geral do presidente, Eduardo Jorge foi alvo de várias denúncias no reinado tucano: esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT-SP; montagem do caixa-dois para a reeleição de FHC; lobby para favorecer empresas de informática com contratos no valor de R$ 21,1 milhões só para a Montreal; e uso de recursos dos fundos de pensão no processo das privatizações. Nada foi apurado e hoje o sinistro aparece na mídia para criticar a "falta de ótica" do governo Lula.

E apesar disto, FHC impediu qualquer apuração e sabotou todas as CPIs.Ele contou ainda com a ajuda do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que por isso foi batizado de "engavetador-geral". Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e outros 217 foram arquivados. Estes envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e em quatro o próprio FHC.Nada foi apurado, a mídia evitou o alarde e os tucanos ficaram intactos. Lula inclusive revelou há pouco que evitou reabrir tais investigações - deve estar arrependido dessa bondade!

Diferente do reinado tucano, o que é uma importante marca distintiva do atual governo, hoje existe maior seriedade na apuração das denúncias de corrupção. Tanto que o Ministério da Justiça e sua Polícia Federal surgem nas pesquisas de opinião com alta credibilidade. Nesse curto período foram presas 1.234 pessoas, sendo 819 políticos, empresários,juízes, policiais e servidores acusados de vários esquemas de fraude -desde o superfaturamento na compra de derivados de sangue até a adulteração de leite em pó para escolas e creches. Ações de desvio do dinheiro público foram atacadas em 45 operações especiais da PF.

Já a Controladoria Geral da União, encabeçada pelo ministro Waldir Pires, fiscalizou até agora 681 áreas municipais e promoveu 6 mil auditorias em órgãos federais, que resultaram em 2.461 pedidos deapuração ao Tribunal de Contas da União. Apesar das bravatas de FHC, a Controladoria só passou a funcionar de fato no atual governo, que inclusive já efetivou 450 concursados para o trabalho de investigação."A ação do governo do presidente Lula na luta decidida contra a corrupção marca uma nova fase na história da administração pública no país, porque ela é uma luta aberta contra a impunidade", garante Waldir Pires.
Diante de fatos irretocáveis, fica patente que a atual investida do PSDB-PFL não tem nada de ética. FHC, que orquestrou a recente eleição de Severino Cavalcanti para presidente da Câmara, tem interesses menos nobres nesse embate. Através da CPI dos Correios, o tucanato visa imobilizar o governo Lula e desgastar sua imagem, preparando o clima para a sucessão presidencial. De quebra, pode ainda ter como subproduto a privatização dos Correios, acelerando a tramitação do projeto de lei1.491/99, interrompida pelo atual governo, que acaba com o monopólio estatal dos serviços postais."

---------------------
Conclusão: OK, o atual governo usou da corrupção pra fazer política, mas o anterior, que hoje evoca a "ética" para desgastar a imagem dos petistas, passou por vários escândalos de corrupção - e, importante: nenhum deles devidamente investigado. Quem está mais ganhando nesta crise não é Roberto Jefferson ou a corja do PFL, que já é reconhecidamente corrupta. Mas os tucanos, que estão se saindo com a imagem de éticos, graças ao esquecimento geral da Nação. Isso poderá se refletir nas eleições do ano que vem, em que Aécio Neves, Geraldo Alckmin, FHC, José Serra - ou qualquer outro que concorrer - poderá chegar à Presidência da República, com todo seu histórico de corrupção na bagagem.

Nunca devemos nos esquecer que a Cia. Vale do Rio Doce foi vendida por R$ 3 bilhões de Reais, financiados pelo BNDES, e hoje vale "somente" 48 bilhões de dólares

Luiza Magalli Pinto Henriques
Assessoria de Relações Institucionais - ARIN
Intituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA
Caixa Postal 478
Av André Araújo, 1756 - Aleixo
CEP 69060-000
Manaus - Amazonas
BRASIL

FONE/FAX: (92) 36422557

ESPECIAL SÃO FRANCISCO

"Dizer que transposição resolve problema da água é mentira" Para o consultor da Articulação no Semi-Árido (ASA), Henrique Cortez, este projeto de transposição do São Francisco não garantirá o acesso à água àqueles que tanto precisam do recurso. Nesta entrevista, ele afirma que o governo Lula sabe disso e mesmo assim insiste na idéia. Bia Barbosa 22/12/2004
Recife - A Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA) é uma rede de mais de 800 organizações da sociedade civil - entre sindicatos de trabalhadores rurais, associações de agricultores, cooperativas de produção, igrejas católicas e evangélicas e ONGs ambientalistas - que trabalham pelo desenvolvimento social, econômicos, político e cultural de uma das regiões mais excluídas do país. Criada em Recife em 1999, durante o Fórum Paralelo à Conferência de Combate à Desertificação e à Seca, a ASA vem se consolidando como um espaço coletivo de centenas de experiências de uma grande parcela da população brasileira que luta todos os dias por um semi-árido justo e igualitário. Deixando de lado o falso discurso de combate à seca, a articulação atua na proposição e implementação de políticas públicas que promovam a convivência com as condições climáticas locais para garantirem o desenvolvimento sustentável nos onze Estados que englobam a região.

Um dos principais projetos da ASA é o P1MC - Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semi-Árido: Um Milhão de Cisternas Rurais. O programa tem como meta construir, em cinco anos, um milhão de cisternas de placas na região, que proporcionarão água limpa e de qualidade para cinco milhões de pessoas. Em pouco mais de um ano, o P1MC construiu 50 mil cisternas, que já beneficiam 260 mil pessoas, e possibilitou o aumento da frequência escolar, a diminuição do número de pessoas com doenças em virtude do consumo de água contaminada e a geração de emprego e renda para os morados das comunidades onde as cisternas foram construídas.

É nessa linha de convivência - e não combate - com o semi-árido que as organizações que integram a articulação têm se posicionado fortemente contra o projeto governamental de transposição do rio São Francisco. Na última série de reportagens especiais da Agência Carta Maior sobre o tema, uma entrevista com Henrique Cortez, jornalista, ambientalista e consultor da ASA, acerca desta polêmica, concedida durante o Fórum Social Nordestino, realizado no último mês em Recife. Nesta boa conversa, Cortez explica porque é inviável fazer a transposição do Velho Chico antes de sua revitalização, os interesses que estão por trás de quem banca do projeto dentro do governo e qual seria a chance de barrar essa transposição tão questionada por aqueles que têm sede e que, na teoria, seriam os mais interessados em receber as águas do São Francisco.


CM - A ASA defende, antes da transposição, a revitalização do São Francisco. Ideologicamente você é contra a transposição?
Henrique Cortez - É uma história complicada. Transposição significa tirar água de uma bacia hidrográfica e levar para outra. É uma tecnologia de mais de 100 anos, o mundo inteiro faz isso. A cidade de São Paulo recebe água de transposição do rio Piracicaba. A cidade do Rio de Janeiro idem. Existem casos de transposição excelentes e existem desastres. O problema não está na transposição, mas na concepção técnica e na realização da transposição. Tecnicamente falando, como qualquer engenheiro sabe, eu diria que é muito simples. Ideologicamente, como ambientalista, também sei que é perfeitamente possível fazer isso de forma responsável, com danos ambientais facilmente mitigáveis, sem grandes dramas. Uma barragem causa muito mais estrago. A questão não está nisto.

A questão é que os três temas mais relevantes não estão sendo atendidos neste projeto - que é o mesmo projeto do governo anterior (as mudanças são mínimas) e que não deve ter sido muito diferente do projeto do D. Pedro II, de 1847. O primeiro deles é a revitalização do São Francisco. Não existe banco de sangue que aceite doação de doador anêmico. O rio está morrendo. O mar já entrou 50 km dentro do rio, já se pesca robalo, que é um peixe exclusivamente de água salgada, a 50 km da foz. Mas a revitalização é algo complicado, é demorado. Precisa de um grande pacto nacional. Primeiro, recuperar os mananciais, os olhos d'água, as nascentes, fazer a revegetação - são mais de dois bilhões de mudas de árvores a serem recuperadas, milhões de hectares -, acertar a questão fundiária de quem está hoje instalado na área de preservação permanente, a menos de 30 metros do rio. Tem que ter um processo.

Na bacia do São Francisco são 450 cidades que não tem saneamento básico. Quem é que faz esse trabalho? O reservatório de Sobradinho é um imenso tanque de decantação. Ele é a estação de tratamento de esgoto da bacia. O primeiro problema é recuperar o rio, tratar, ordenar as outorgas, fazer com que as pessoas não peguem água no meio do dia com um poço, com um cano de duas polegadas e um motor de 3 hp com um pivô central jogando água na atmosfera. A outorga é uma autorização para a captação de água. Tudo que se refere a poços não requer outorgas, porque, pela legislação, o poço é o que se chama de captação insignificante, não causa um impacto no volume da disponibilidade hídrica da região onde se encontra. Agora, se você vai fazer um poço artesiano ou um poço de águas profundas, onde há bombeamento, você precisa de outorga. Se você vai retirar um pouco de água de um córrego, precisa de água. E por aí vai. Num reservatório é a mesma coisa. Acontece que, no Brasil, para cada outorga, para cada sujeito que está com um cano enfiado no rio tirando água, há 100 captações sem outorgas, ou seja, retirada ilegal. É por isso que a conta não fecha. Mas ninguém está falando em revitalização, que é algo complicado e caro, é um projeto de longo prazo. Não é "do" governo; tem que ser "de" governo.

CM - É impossível fazer a transposição antes disso?
HC - O rio não agüenta, não tem capacidade de suporte. Foi autorizada a transposição de 26 metros cúbicos/s porque é o que sobra. Os resto dos 360 já está outorgado. O Ministério da Integração Nacional fala que o projeto só vai usar 1% da capacidade do rio. Mas este é um jogo de números. É muito mais simples para as pessoas entenderem que é 1%. Só que 26 metros sobre 360 são 7%. Na verdade, o projeto é de 127 metros cúbicos/s, não de 26. Mas há uma diferença entre vazão máxima autorizada e vazão mínima autorizada. A vazão máxima é de 127 metros, a mínima é de 26, porque não dá para tirar mais. Se um dia os reservatórios sangrarem, aí pode chegar a até 127 metros por segundo.

Mas aí está a primeira bobagem. Se o Sobradinho, por exemplo, sangrar, é porque o regime de chuva do semi-árido está extremamente intenso. Se for profundamente intenso, vai se repetir o que aconteceu este ano. Não só Sobradinho encheu. Castanhão encheu, Armando Ribeiro encheu, os grandes reservatórios encheram. Então você está transpondo o que pra onde, se os reservatórios estão cheios? O problema todo é de acesso à água.

CM - Este é o segundo problema?
HC - Exatamente. A capacidade de armazenamento dos reservatórios do nordeste brasileiro é de 37 bilhões de metros cúbicos de água. Teoricamente, a água já existe. O problema é que ela foi mal gerenciada, mal tratada. Veja a questão da evaporação no semi-árido. Em tese, um reservatório que tem, por exemplo, 2 bilhões e 400 milhões de metros cúbicos de água, em condições normais de temperatura e pressão, mesmo que não chova 5 anos, dado o número de outorgas concedidas, deveria durar dez anos. Ele seca em dois. Num reservatório, é preciso quatro litros de água para que nós possamos usar um; três litros irão evaporar. No Brasil, a evaporação no semi-árido é três vezes maior do que a precipitação. Por isso que em países como a África do Sul o açude tem uma tampa. Pra diminuir a evaporação. Se o sistema não for aperfeiçoado, você pode jogar água à vontade que ele evapora.

O problema do nordeste não é fome, é água. Se tem água você produz alguma coisa. Mas muitas vezes você tem a comunidade na beira do rio recebendo água de carro pipa. Às vezes há uma linda área verde, produzindo melão, e uma cerca. Depois da cerca você anda quilômetros só vendo as casinhas de taipa e nada. Então o problema é o acesso a água. E isso pressupõe, primeiro, capital, investimento, e supõe direitos de cidadania e regularização fundiária. Fazer transposição não resolve o acesso a água porque o projeto vai levar a água basicamente para os reservatórios. E os grandes reservatórios ou atendem a áreas urbanas ou a produção irrigada. E a produção irrigada não é do seu Zezinho nem da dona Mariazinha.

CM - Mas se isso já é sabido, por que se está trabalhando com o mesmo projeto? Como é que se cai no "conto do vigário" de que o projeto vai levar água para quem não tem?
HC - Esse é o discurso. "Vamos levar água para quem tem sede". Estão trabalhando com o mesmo projeto porque é rápido, tem efeito pirotécnico, dá discurso, dá palanque, tem placa. Como é que você inaugura um projeto de revegetação? Como é que você põe placa em 50 mil mudinhas? Essa é a razão. É uma obra simples de fazer e rápida. São três transposições diferentes em cascata. Primeiro, a do São Francisco; daqui de três a cinco anos, a transposição do Tocantins para o São Francisco; e daqui a dez anos a transposição do Tocantins para o Parnaíba, que é mais fácil ainda de fazer porque são 90km de distância de um para o outro. O problema é que o Tocantins é um rio amazônico, com um regime de chuvas de monção: seis meses com muita chuva e seis meses sem água. Por sorte, o período de cheia do Tocantins coincide com o período de seca do nordeste. Mas é um bioma diferente. Transpor água do São Francisco para o semi-árido não altera o bioma, é a caatinga. Mas transpor do Tocantins para o São Francisco são biomas diferentes. E aí você vai migrar a característica biológica de um rio que a natureza tomou o cuidado de separar para outro. É um processo de bioinvasão. Você vai ter elementos de um bioma sendo instalados em outro. E ninguém sabe o que vai acontecer.

CM - Qual o terceiro problema?
HC - A terceira questão é o modelo de desenvolvimento, um problema que o Brasil tangencia. Nesse modelo de desenvolvimento há dois componentes que têm que ser pensados. Primeiro, este é o modelo do agronegócio exportador. Este é um projeto feito para o agronegócio exportador. A transposição do Tocantins para o São Francisco leva água para o oeste da bacia, que é a nova fronteira de expansão do agronegócio na Bahia. E levar do Tocantins para o Parnaíba é levar exatamente para a nova fronteira de expansão do cerrado. É uma questão antiga e inquestionável: construir toda uma estrutura complicadíssima de gestão, com problemas seríssimos, para atender, de verdade, os problemas do agronegócio exportador.

Há outra situação: o problema do cerrado. Onde estão hoje as principais nascentes do São Francisco? No cerrado. Você cria um processo de transposição para levar água para o agronegócio, que está expandindo para o semi-árido, que tira água de onde você tira para levar para o agronegócio. No momento em que você avança para o cerrado, vai desmatando e esgota as nascentes. Você vai matando os olhos d'água e tirando a capacidade de recarga da bacia do São Francisco. É um projeto do rabo abanando o cachorro. Então há uma série de questões de acesso à água, de cidadania, de regularização fundiária, de manejo dos recursos dos açudes, a questão das outorgas... são questões muito ligadas às necessidades da população do semi-árido não estão sendo contempladas neste projeto. Então é um megaprojeto, vai beneficiar as empreiteiras, vai levar água pra quem já tem e as questões mais importantes não estão na discussão. Portanto, eu sou contra este projeto de transposição no seu conteúdo técnico, social e pela sua irresponsabilidade de gestão de modelo de desenvolvimento. Esse projeto é um equívoco do começo ao fim.

CM - Mas pode existir um projeto de transposição que seja tecnicamente e socialmente correto do São Francisco?
HC - Claro, de qualquer bacia. Como? Revitaliza o São Francisco. São 30 anos trabalhando sério. Aí você voltou para os 2800 metros cúbicos/s e não mais para 1800. Vamos chegar na cota máxima do rio em 30 anos. Saneamento, reflorestamento, manejo de água, uso sustentável, combate ao desperdício, todo mundo usando cisterna. Em 30 anos o rio está recuperado. Aí dá para transpor. Além disso, é preciso tomar a decisão sobre o acesso a água. Eu posso levar para os reservatórios, mas é preciso criar um mecanismo que permita que o seu Zezinho e a dona Mariazinha, que não têm outorga, não têm terra, que não têm posse, nada, tenham acesso a água. Não é complicado de fazer, nem é caro.

CM - Mas depender regularização fundiária para fazer a transposição do rio é algo complicado...
HC - Então por que o governo está querendo a transposição? Porque ele tangencia os problemas. É a famosa resposta sem pergunta. É um palanque muito interessante. As empreiteiras vão ficar felizes, etc. Porque fazer a revitalização, plantar árvores, fazer coleta de sementes, transportar a planta é algo que a população faz, e não a empreiteira. Se formos incompetentes, a revitalização do São Francisco gera um milhão de empregos para essa população. É um monte de gente envolvida. O cálculo correto é de uma pessoa por hectare revitalizado. Se estamos falando de dois milhões de hectares, o cálculo é de dois milhões de empregos. Se formos muito incapazes, um milhão. Então qual o problema em fazer a revitalização?

CM - Por que pessoas como Antônio Carlos Magalhães estão contra o projeto?
HC - Eu nunca imaginei estar do mesmo lado que Antônio Carlos Magalhães. Estou fazendo até terapia por causa disso... (risos). Só dispensei o terapeuta porque nós não estamos falando a mesma coisa. O discurso do Antônio Carlos Magalhães é: pode transpor desde que traga água do Tocantins pra Bahia. Porque o rio Sono é justamente na junção com o oeste baiano, que é exatamente na nova fronteira do agronegócio baiano. Quem está em Petrolina é contrário porque, lá, o que se produz é de exportação ou de consumo no sul e sudeste. Se você tem condições de expandir com a transposição - que vai garantir que o reservatório do Castanhão (CE) nunca vai ficar com menos de 3 milhões de metros cúbicos -, pra onde avança a fronteira agrícola de exportação? Para o Rio Grande do Norte, pro Ceará. E é isso que eles estão temendo. Vão perder mercado. É óbvio.

CM - Na sua opinião ainda é possível barrar este projeto?
HC - Sinceramente? Entendo que esse projeto vai sair. Embora exista este processo de uma vontade imperial, autoritária e autocrática, até messiânica de "eu vou salvar o nordeste", não é essa a questão. A vontade imperial poderia até sofrer num enfrentamento. Acontece que este tema não mobiliza a sociedade. As pessoas ainda têm no imaginário a imagem da seca do nordeste de 1951 a 1954. Aquela imagem da terra esturricada, de milhares de animais mortos, das pessoas se arrastando pelo sertão. Esse imaginário - e que não é um livro, porque isso aconteceu mesmo e não há muito tempo -, quando proposto para o sul ou o sudeste - onde está a maioria da população, os jornais formadores de opiniões, o poder econômico, as grandes decisões -, quando alguém diz "eu tenho um projeto que é polêmico, mas que vai salvar o nordeste e vai levar água a quem tem sede e que, com isso, aquela imagem migrante completamente desgraçado não vai se repetir, as pessoas dizem "tá valendo". O bem maior justifica. Os fins justificam os meios. O interesse do todo supera qualquer interesse individual. É um jogo de imaginário, um jogo muito perverso.

CM - O que há existe de acerto do ponto de vista político?
HC - A questão já está resolvida, o dinheiro já está empenhado. Não saiu a licitação ainda mas a empreiteira já está contratada. Essa parte burocrática já está resolvida. E vai sair porque é muito mais fácil fazer a transposição do que a revitalização. Segundo, porque é engenharia, dinheiro e empreiteira. E você vai levar a água pra quem já tem poder e interesse econômico, que é o agronegócio exportador. Então é ação entre amigos. E eles estão carecas de fazer isso. Não dá pra mudar porque o trem já está andando. E a experiência de movimento social demonstra que, embora você possa ter movimentos resistentes no país inteiro, a canoa só vira quando se consegue a adesão dos movimentos sociais do sul e do sudeste - essa história é verdadeira desde a proclamação da República. Então criou-se um negócio muito perverso por estar-se lidando com o imaginário: criou-se uma secção do país. Este lado de baixo, que tem energia e demanda pra fazer pressão, vai pagar a conta, mas não vai participar do processo não vai participar do processo, porque esses movimentos refluem na medida em que não têm contato com o semi-árido.

CM - Em quantos anos o processo termina? O governo Lula ainda corre o risco dele próprio pagar por este erro que está cometendo?
HC - Em um ano e meio você põe a obra funcionando. Fecha o primeiro ciclo da transposição, que é o eixo norte, em três anos. Em cinco anos você percebe se aquilo deu certo ou não. Toda grande decisão tem este preço.

CM - Pela sua linha de raciocínio, o Ministério da Integração Nacional sabe exatamente o que está fazendo e os interesses de quem está atendendo. O presidente Lula também?
HC - Me preocupa muito o argumento usado pelo Lula de que o projeto é para levar água para quem tem sede. A partir dessa abordagem, a mentira ficou evidente. "Vamos levar água para expandir a capacidade econômica do nordeste". Ok, o argumento é verdadeiro. Se é justo, essa é outra discussão; mas é verdadeiro. Agora, levar água a quem tem sede, não. Eu tenho a clara impressão de que o presidente Lula é um homem - a história dele mostra isso - extremamente sensível e inteligente. Capaz e extremamente perceptivo. Então não acredito que ele esteja inocente nessa história.

CM - Então não há como alterar este projeto definitivamente?
HC - Só tem um componente complicado nessa história. Pela primeira vez na história do Brasil desde a Guerra do Contestado e da Revolução Farroupilha existe uma crise federativa no país. Você tem os Estados doadores da bacia (MG, BA, PE, AL e SE) terminantemente contra e os Estados receptores (PB, RN e CE) a favor. No Nordeste, é a primeira vez que eu ouço falar que tem um Estado que está falando uma coisa que não é a mesma que o outro.

CM - E como fica isso num projeto que tem como ministro uma pessoa eleita pelo Ceará (Ciro Gomes)?
HC - São 26 metros cúbicos que serão transportados. Cinco metros cúbicos irão para o RN e PB; 21 irão para o CE, para o Castanhão, que é o maior açude do Brasil. Vai chover na horta de quem?

CM - Como resolver esta crise federativa?
HC - Levar a discussão para o Senado. Lá o agronegócio não domina. O Senado é dominado pelo segmento industrial ou pelo grande interesse econômico. E esse não está gostando dessa brincadeira, porque vai pagar a conta. Porque quando se reduzir 1% da energia elétrica para a transposição - e o rio São Francisco responde por 95% da energia do nordeste - a energia vai ter que ser composta. E não se pode trazer a energia de Itaipu para o nordeste; você vai ter que colocar termelétrica aqui. E as termelétricas entram na cláusula de energia emergencial, ou seja, na conta de todo mundo. Portanto, aquele gaúcho de Santana do Livramento vai pagar a conta também. Só que as indústrias não vão querer pagar essa conta.

O problema é que este debate no Senado só vai acontecer depois que a obra começar, porque o legislativo não tem força para impedir nada porque não há especificidade na legislação brasileira que diga que isso tem que ser discutido no Congresso. Isso é obra do executivo. Mas, depois, o Senado pode interromper e embargar a obra por causa da crise federativa através de um decreto legislativo. Este é o único lugar em que o projeto de transposição está vulnerável, porque as bancadas do sul e do sudeste não querem. O cara pode ser do PMDB e ter um cargo no ministério, mas na hora em que o patrão dele, da Fiesp, disser "eu não vou pagar a conta dessa energia elétrica maluca", ele assina embaixo. Agora isso só vai acontecer quando a crise for instalada. E isso ainda não existe.

CM - Aí pode ser tarde demais?
HC - Se isso acontecer, a obra já vai estar na metade. Vai ser no final do período legislativo de 2005, entre outubro e novembro. Isso não acontece antes porque a questão não é salvar a pátria. É salvar a pátria "de quem". E quem fez essa bobagem? Ciro Gomes? Não. Lula. "Um irresponsável, que não tem capacidade de dirigir um país como esse". É isso que vamos ouvir. Eu não acredito que ele seja inocente. Entretanto, existem outros movimentos de subterrâneo que estão chocando o ovo da serpente. Onde é que o presidente está embarcando no erro? No timing. Na visão do Lula, ele começa a obra em 2005 e vai começar a pingar água de 2006 pra 2007. O Lula está apoiando o projeto porque ele acha que essas coisas vão andar em curso, o que não é verdade.

quarta-feira, agosto 10, 2005

Fique em dia sobre o Escânda-lo do mensalão

http://pt.wikipedia.org/wiki/Escândalo_do_mensalão (clica aqui)

O escândalo está chegando cada vez mais perto do Pimentel
6 de Agosto
Justiça - Em Minas Gerais Polícia Federal indicia dois por lavagem de dinheiro (clica aqui)

quarta-feira, junho 15, 2005

Movimentos sociais irão para as ruas contra golpismo e corrupção (Veja essa e outras matérias no nosso CLIP!)


  1. Matéria do Estado de Minas do dia 14/06 sobre educação deturpa os fatos!

  2. Movimentos sociais irão para as ruas contra golpismo e corrupção (fonte CMI)

  3. Nova entrevista de Jefferson coloca mais lenha na crise política do governo Lula

  4. Governo Federal propõe o FUNDEB e exclui crianças de zero a três anos
    15-06-2005 15:51

  5. Assis Gutenberg e Elpydio Phragoso mostram que a imprensa brasileira não evoluiu muito no último século.

DICA DE LEITURA

segunda-feira, junho 13, 2005

Trabalhadores em educação de BH desafiam prefeito e judiciário

Publicado na CMI sobre a greve! Clica Aqui!

O PT da PBH tá cada vez mais FHC

Título: O PT da PBH tá cada vez mais FHC (Clica Aqui) (CMI ) Por Marcela Andrade 31/08/2003
O aburguesamento dos membros do PT à frente da prefeitura de Belo Horizonte já chama atenção até dos militantes mais moderados.

Série de Concerto TIM - Homenagem a Claude DebussyOSMG

Série de Concerto TIM - Homenagem a Claude DebussyOSMG faz homenagem a Claude Debussy sob regência de Oiliam Lanna, 14/0614 de junho, terça-feira, às 20h30. Grande Teatro.Preço: Platéia I - R$20 (inteira) e R$10 Platéia II - R$20 (inteira) e R$10 Platéia Superior - R$20 (inteira) e R$10